Mero Cristianismo

9.4.07

A Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo

por Eduardo Mano
revisado por Gustavo Nagel

--x--x--

Introdução

Creio que estamos fadados a um terrível futuro, no tocante aos púlpitos de nossas Igrejas. A vida em um mundo pós-moderno, cheio de dúvidas e ceticismo, é capaz de colocar abaixo a (fraca) fé de muitos dos que um dia sentiram-se tocados a servir a Deus através da Palavra, principalmente se aqueles responsáveis pela edificação do “edifício teológico” dos futuros ministros são os algozes a torturar e expor doutrinas nada cristãs aos alunos em nossos seminários.

As doutrinas Cristãs devem ser tidas como concretas, e não abstratas. Objetivas, e não subjetivas. Reais, e não fantasiosas. Não é por acaso que as mesmas são impiedosamente atacadas: tendo a fé – um dom dado pelo próprio Deus a Seus filhos, como lemos em Efésios 2:8-9: “Pois pela Graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não de obras, para que ninguém se glorie” – como base para se chegar à compreensão e crença no Cristianismo, aqueles que de Deus não receberam tal dom não têm como crer. Seus olhos estão permanentemente cegos para a Verdade que há em Jesus.

Ataca-se aquilo que não se conhece.

Defender e expor o Cristianismo é dever de todo Cristão. Aquilo em que cremos não é apenas mais uma verdade no mundo, mas sim, a verdade fundamental. E enquanto o mundo celebra o feriado da Páscoa, é essencial que lembremos o evento que é singular ao Cristianismo: a Paixão de Cristo.

Nós, no desejo de refletir sobre a Paixão de Nosso Senhor – Sua morte e ressurreição –, precisamos ter em mente alguns simples e fundamentais pontos: foi real, não aconteceria novamente e ainda é relevante.

Por Sua Graça e Misericórdia, Deus proveu a única forma pela qual nossos pecados poderiam ser limpos e nossa salvação garantida. Ao entregar Seu Filho para morrer por nós na Cruz, Deus realizou o ato de amor supremo. A vida do justo pelo injusto, do puro pelo impuro. Deus de Deus pelo pó da terra.

A morte de Cristo não foi apesar dos nossos pecados, mas sim pelos nossos pecados. Deus não olhou para nós e, como muitos insistem em dizer hoje em dia, “viu aquilo que poderíamos ser”. Deus já sabia o que seríamos Nele, desde a eternidade. Se Cristo tivesse morrido por nós, apesar de nossos pecados, isso nos daria permissão para viver uma vida de libertinagem, desregrada e sem fidelidade para com Deus. Mas ao ter morrido pelos nossos pecados, Ele, com Seu sangue, nos purificou e libertou de vez das garras da morte.

Tendo isso em mente, que Jesus Cristo morreu pelos nossos pecados, gostaria de prosseguir explicando melhor cada um dos três pontos sugeridos acima: a morte e a ressurreição são reais, não aconteceriam novamente e são extremamente relevantes para nós hoje.

A Morte e Ressurreição de Cristo Foram Reais

Os capítulos 27 e 28 de Mateus contam a história do cativeiro de Cristo, o julgamento, a via crucis, Sua morte e, finalmente, Sua ressurreição. O relato é narrado de forma a dar detalhes sobre as circunstâncias, detalhes tão vívidos e ricos que seria até um risco ao Cristianismo se não fossem coerentes. De fato, os Evangelhos e as cartas paulinas dão testemunho acerca de Cristo, Sua morte e ressurreição, o que já bastaria (dado o número de cópias desses documentos que já foram encontradas) para afirmar a historicidade dos eventos.

O historiador judeu Flávio Josefo[1], em seu trabalho “Antiguidades dos Judeus” escreveu a seguinte passagem, traduzida pelo teólogo inglês, matemático e historiador William Whiston[2]:

“Havia nessa época Jesus, um homem sábio, se couber a ele ser chamado ‘homem’; pois ele realizou maravilhosas obras, um professor para os homens que recebiam a verdade com prazer. Ele atraiu para si muitos judeus e também muitos gentios. Ele era [o] Cristo. E quando Pilatos, por sugestão dos principais homens entre nós, o condenou à Cruz, aqueles que o amaram desde o princípio não o abandonaram; pois ele apareceu a eles vivo após três dias; como os divinos profetas disseram, além de outras coisas maravilhosas a respeito dele. E a tribo dos cristãos, assim chamados por causa dele, ainda não se extinguiu” [3]

Este trecho escrito por Josefo ficou conhecido como Testimonium Flavianum[4], por ser um relato direto acerca do sacrifício e da ressurreição de Cristo, escrito por alguém distante do Cristianismo, dando assim provas mais “consistentes” (embora para nós o testemunho Bíblico já sirva como evidência consistente).

De fato, para nós, a grande questão é definir como cremos nos eventos em questão. Para nós, a historicidade dos mesmos deve ser considerada inquestionável, ou senão, podemos fazer nossas as palavras do Apóstolo Paulo em 1Coríntios 15:17-20:

“E, se Cristo não foi ressuscitado, é vã a vossa fé, e ainda estais nos vossos pecados. Logo, também os que dormiram em Cristo estão perdidos. Se é só para esta vida que esperamos em Cristo, somos de todos os homens os mais dignos de lástima. Mas na realidade Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem.”

O Pastor John Piper, em mensagem pregada no dia 11 de abril de 1982, em sua Igreja, disse o seguinte:

“[…] Satanás acredita que Deus trouxe Jesus dos mortos. Mas satanás não será salvo. Satanás também confessa com sua boca que Jesus é Senhor. Por diversas vezes os mensageiros demoníacos de Satanás, quando confrontados por Jesus, clamaram, ‘Bem sei quem é: o Santo de Deus’ (Lucas 4:34); ou ‘Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo?’ (Lucas 8:28). Satanás e suas forças não têm dúvidas quanto à verdadeira identidade de Jesus Cristo. Ele é o Filho de Deus, Senhor sobre todos. Assim sendo, Jesus disse em Mateus 7:21 ‘Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus’. E assim todos [...] somos confrontados com a mais importante questão de nossas vidas: o meu reconhecimento de Jesus como Senhor e minha convicção de que Deus O ressuscitou dos mortos é como a de Satanás, que leva à destruição, ou como a do Apóstolo Paulo, que leva à salvação?” [5]

A morte e a ressurreição de Cristo foram reais pois possuem evidencias em qualidade e quantidade necessárias para comprovar sua historicidade – mesmo que ainda existam aqueles, dentro e fora da Igreja, que levantem dúvidas – e da mesma maneira, ela é real para nós, pois são eventos de suma importância em nossas vidas, pois como Paulo disse, se nada disso aconteceu, nossa fé é vã.

A Morte e a Ressurreição de Cristo não Aconteceriam Novamente

Sabemos que o amor de Deus por nós é tão grande que foi capaz de enviar Seu único filho para morrer pelos nossos pecados. Temos entendido que a morte de Jesus é suficiente, ou seja, Seu sacrifício é plenamente perfeito e capaz de cobrir a multidão de pecados atribuídos à massa corrompida e decadente que é a humanidade.

No capítulo primeiro da carta de Paulo aos Efésios, temos um excelente e maravilhoso relato da obra que Cristo realizou em nós através da Sua morte, obra esta que só poderia ter sido feita através de um sacrifício perfeito. No texto, lemos que em Cristo, “temos a redenção pelo Seu sangue, a redenção dos nossos delitos, segundo as riquezas da sua graça” (Efésios 1:7) e também, “Nele, digo, no qual também fomos feitos herança, havendo sido predestinados conforme o propósito daquele que faz todas as coisas segundo o conselho da Sua vontade, com o fim de sermos para o louvor da Sua glória, nós, os que antes havíamos esperado em Cristo; no qual também vós, tendo ouvido a palavra da verdade, o Evangelho da vossa salvação, e tendo Nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa, o qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão de Deus, para o louvor da Sua glória.” (Efésios 1:11-14)

Fomos “selados com o Espírito Santo” e “predestinados conforme o propósito daquele que faz todas as coisas segundo o conselho de Sua vontade”. Tal é a perfeição da morte de Cristo, de Seu sacrifício.

Não apenas isso, mas o Apóstolo também nos relata, em Romanos 9:8-10, o seguinte: “Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com Ele viveremos, sabendo que, tendo Cristo ressurgido dentre os mortos, já não morre mais; a morte não mais tem domínio sobre Ele. Pois quanto a ter morrido, de uma vez por todas morreu para o pecado, mas quanto a viver, vive para Deus.”

O propósito desta seção é esclarecer algo que tem surgido, uma tendência a se afirmar que, se preciso fosse, Cristo enfrentaria novamente todo Seu martírio, Seu sofrimento e a Cruz, por amor a nós. Eu consigo entender que, no afã de dizer quão grande é o amor de nosso Senhor por nós, alguém possa ser levado, momentaneamente, a pensar que isso poderia acontecer. O que não concebo é que um pensamento como esses chegue a esferas maiores, a ponto de serem incluídas em músicas cristãs, registradas em gravações e distribuídas com o intuito de “abençoar a Igreja”.

Seguem dois desses casos:

Música: Outra Vez[6]

O deserto é o meu lar
Meu instrumento é a minha voz
O meu chamado é clamar
O arrependimento as nações
Uma fonte em meio ao deserto
Produz o mel pra alimentar
Meu anseio é gastar a minha vida
E o reino Dele anunciar

Sonharia outra vez
Sofreria outra vez
Valorizo cada instante que passei
Pregaria outra vez
Clamaria outra vez
Arrependam-se, ó filhos de Sião

Eu sofreria outra vez
Sangraria outra vez
Morreria outra vez naquela cruz
Não me arrependo de nada
Faria tudo de novo
Eu te amo

Eu faria tudo, tudo outra vez
Cada lágrima, cada choro outra vez

E ainda,

Música: Se Preciso Fosse[7]

Cadê aquele brilho em teu olhar
Que eu te dei filho meu?
Cadê aquele amor que eu formei filho meu?

Eu não te fiz para viver tão longe assim
Eu não te fiz para sofrer
Onde está teu coração que eu formei filho meu?
Eu morreria nesta cruz mais uma vez
Eu sofreria nesta cruz mais vez
Todo o meu sangue que eu verti nesta cruz por você
Filho meu, mais uma vez, mais uma vez

Eu morreria nesta cruz
Só pra te ter pra mim filho meu
Eu sofreria nesta cruz
Se preciso fosse por você
Mais uma vez, mais uma vez

A fé cristã é concebida com base no dom da Palavra que Deus concedeu a nós. A fé, o ato de crer nas verdades de Deus (como vimos no ponto anterior) é, em si, um dom do próprio Deus. Quero dizer com isso que é impossível ter um entendimento correto acerca das doutrinas cristãs se não for através da fé e da Palavra.

O Sacrifício de Cristo foi perfeito e único, como já vimos nos textos aqui expostos. Um pensamento que afirme que Cristo sofreria tudo novamente está, na melhor das hipóteses, errado. Mas infelizmente, é uma heresia que precisa ser combatida e erradicada de nossos púlpitos. O autor de Hebreus faz uma excelente e didática comparação entre as duas alianças que Deus fez com Seu povo, e como ambos funcionam de maneira diferente. O texto se encontra em Hebreus 9 (a integralidade do capítulo) e traz a seguinte passagem, para nossa reflexão:

“Pois Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, mas no próprio céu, para agora comparecer por nós perante a face de Deus; nem também para Se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote de ano em ano entra no santo lugar com sangue alheio; doutra forma, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de Si mesmo. E, como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois o juízo, assim também Cristo, oferecendo-se uma só vez para levar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação.” (Hebreus 9:24-28)

A certeza que temos é que, em Sua segunda vinda, Cristo não sofrerá mais nada. Ele, sim, virá como Rei Soberano que é, a fim de julgar as nações e terminar com o reinado de Satanás. A isso, junto aos santos e à Igreja, dizemos “Maranata, ora vem Senhor Jesus”.

A Morte e a Ressurreição de Cristo são Relevantes nos Dias de Hoje

Mais que tratar sobre a relevância da morte e da ressurreição de Cristo, trataremos aqui da relevância da mensagem cristã do Evangelho. A mensagem do Evangelho inclui obrigatoriamente a Paixão de Cristo, o que torna inquestionável a importância que tem para os dias de hoje.

Muito já foi dito sobre o Evangelho e a cultura atual. Já foi dito que o Evangelho seria uma contra-cultura. Infelizmente, ao vislumbrarmos as possibilidades de mercado que arrebatam mente e coração de inúmeros pastores, líderes e ministros, percebemos que o Cristianismo se tornou motivo de enriquecimento (para a minoria oportunista) e chacota (para a vasta maioria).

Interessante é avaliarmos a mensagem proferida (ou vendida) nos dias de hoje. As mensagens que eram o cerne dos avivamentos ocorridos na Europa e nos Estados Unidos (necessidade de arrependimento dos pecados, a realidade do Inferno e da separação eterna de Deus, justificação pela Graça, mediante a Fé) não são pregadas. No lugar delas, a teologia da prosperidade invadiu os púlpitos, bem como as promessas vãs e irresponsáveis de curas. Soma-se a isso, a absurda autoproclamação a títulos imerecidos. Bispos (e as versões femininas, Bispas – um escândalo até mesmo para a língua portuguesa), Apóstolos, Doutores... um sem-fim de nomes que servem apenas para aumentar a distância entre os poderosos e as castas inferiores de meros cristãos.

Essa mensagem tão difundida, e igualmente tão herética, vomitada dos púlpitos de nossas Igrejas, não é relevante aos dias de hoje. Na verdade, ela é uma corruptela pobre da auto-ajuda – matéria bem mais recente que o Cristianismo e que usa ensinamentos vindos de diversas partes, desde a filosofia oriental ao espiritismo.

Creio que a relevância da mensagem Cristã está no fato de aproximar-se mais e mais da Bíblia e, conseqüentemente, afastar-se cada vez mais do relativismo e daquilo que o mundo considera como parâmetros (beleza, poder, riqueza). A mensagem Cristã causa espanto por não ser antropocentrista, mas sim teocentrista.

O Cristianismo não visa a diferença entre as pessoas, mas sim a igualdade. Nós, que confessamos a Cristo como único e suficiente Salvador, somos instruídos a amar nossos inimigos e a ajudá-los[8], a despeito de quem sejam, do mal que tenham feito a nós ou do quanto nos machucaram. Assim como encontramos perdão, devemos perdoar. Isso é relevante, em um mundo onde a tendência é que tenhamos nossos corações cada vez mais endurecidos com a frieza e maldade do homem.

O Cristianismo também é relevante pois não tem interesse em agradar grupos ou beneficiar indivíduos. Na verdade, o único propósito do Evangelho pregado no Cristianismo é exaltar e glorificar a soberania de Deus sobre tudo e todos. E para isso, lança mão de frases e termos que vão de encontro à nossa imoralidade: “não dirás falso testemunho”[9], “não adulterarás”[10], “honra teu pai e tua mãe”[11], “não terás outros deuses diante de Mim”[12] e ainda o resumo: ama a Deus sobre todas as coisas e ao teu próximo como a ti mesmo[13].

O Evangelho é relevante pois traz respostas a grandes questões de nossos dias. O grande problema é: essas respostas são as ansiadas pelo coração humano? Penso que não. O homem não está interessado nas mensagens bíblicas justamente por serem verdades eternas, antigas. Preferimos nos apegar às novas mentiras que à verdade eterna, e isso não faz sentido algum. A busca do homem ao longo dos anos tem sido pelo subjetivo e não o objetivo. O abstrato, e não o concreto. Pois bem, o Evangelho é objetivo (direto ao coração do homem) e concreto (base sólida para nossas vidas).

Por último, a relevância da mensagem Cristã se dá pois ela visa libertar o homem de suas pré-concepções de alegria e liberdade, inculcando no mesmo que a principal finalidade de nossa existência é “glorificar a Deus, e gozá-lo para sempre”[14]. A suma experiência de deleite e alegria se dá apenas na em Deus, e não fora Dele. Quero dizer com isso que a resposta para o crescente descontentamento e desespero da humanidade se dá unicamente em Deus, (unicamente) através de Seu Filho Jesus, e de Seu sacrifício. Não há e nunca haverá caminho alternativo.

Conclusão

Refletir sobre os eventos que antecederam a morte de Cristo, bem como sobre Sua ressurreição, são essenciais para nossa caminhada. Termos em mente que o relato bíblico é histórico, não se repetirá e é relevante nos ajudam a entender quão preciosa é nossa salvação, e quanto amor foi dispensado a nós por Deus.

Espero que este artigo sirva para nossa reflexão. A morte e a ressurreição de Cristo não devem, em hipótese alguma, ser lembradas apenas em uma época do ano. Afinal de Contas, o próprio Cristo pediu, momentos antes de Sua morte, que recordássemos Dele até que Ele viesse, através do sacramento da Santa Ceia[15].

Que a Paz de Deus, que excede todo entendimento, a Graça de Jesus, suficiente para cobrir todos os nossos pecados, e a companhia do Espírito Santo nos acompanhem todos os dias, até a vinda de Nosso Senhor. Amém.

Soli Deo Gloria

Eduardo Mano



[1] Flávio Josefo foi um historiador e apologista judeu do primeiro século de ascendência sacerdotal e real que sobreviveu e relatou a Destruição de Jerusalém em 70 d.C. Seus trabalhos são um importante relato do judaísmo do primeiro século.
[2] http://en.wikipedia.org/wiki/William_Whiston
[3] Antiquities of the Jews, livro xviii, 3.3
[4] Interessa para nós que o Testemunho Flaviano fala da morte de Cristo. E embora a própria passagem tenha sua autenticidade questionada, há relatos de que Eusébio de Cesaréia, em 324, já fazia referência a ela.
[5] Mensagem pregada na Bethlehem Baptist Church, com base no texto de Romanos 9:30 – 10:10. Disponível em http://www.desiringgod.org/ResourceLibrary/Sermons/ByDate/1982/341_Believe_in_Your_Heart_that_God_Raised_Jesus_from_the_Dead/
[6] Música gravada no disco “Profetizando às Nações”, lançado em 2006 pela gravadora MK, e composta por Emerson Pinheiro, Fernanda Brum e Klênio
[7] Música gravada no CD “Pelo Teu Toque”, lançado em 2004 pelo Ministério Ipiranga. Composta pelo Ministério Ipiranga
[8] Lucas 6:27-36
[9] Êxodo 20:16
[10] Êxodo 20:14
[11] Êxodo 20:12
[12] Êxodo 20: 3
[13] Mateus 22:36-40
[14] Primeiro ponto do Breve Catecismo de Westminster
[15] 1Coríntios 11:23-26

15.1.07

Exemplo de teologia “apostólica” (ou seria “atoscólica”?)

Pb. DeNiS - DNS 13/01/2007 16:00
A Abril foi interditada, pois houve um desabamento do metro na região... Pois bem, o prédio da abril vai cair e vai falir!!!!

Heitor 13/01/2007 16:06
HahahahaPensei a msm Coisa quando aquilo aconteceu

comentários em uma das comunidades da Renascer no Orkut. Agora está explicado. O acidente que provocou mortes e transtorno em toda a metrópole paulista foi uma retaliação divina às reportagens da Veja.

(HT: Sérgio Pavarini - postado aqui)

12.1.07

Céu - Por R. J. Rushdoony

Tradução: Eduardo Mano

Para saber mais sobre R.J. Rushdoony, acesse o site da Fundação Chalcedon ou o blog da Fundação

Um pastor amigo meu sugeriu que eu escrevesse algo sobre o céu. A primeira coisa a ser dita é que a Bíblia assume a realidade do céu, mas nos diz muito pouco acerca dele. A Palavra de Deus fala, não para satisfazer nossa curiosidade, mas para nos instruir acerca de nosso culto a Ele. Esse mundo é muito importante para o Senhor, e deve ser importante para nós. É o lugar onde somos testados e refinados para Seu eterno Reino e culto. Apocalipse 22:3 diz, acerca de Sua criação, que “Seus servos O servirão”.Em Segundo lugar, o critério para nossa entrada no céu é inteiramente a graça de Deus através do sacrifício de Cristo. Nenhum de nós recebe ou merece o céu. Deus em Sua graça nos torna membros de Seu Reino eterno. Essa membresia começa aqui e agora. Todos nós temos problemas e algumas épocas nas quais desejamos que Deus nos guardasse do mal e das tristezas. Mas essas coisas são parte da graça de Deus para nós, uma forma de nos preparar para seu eterno culto. É por isso que Paulo diz “Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito: alegrai-vos!” (Filipenses 4:4). Devemos deixar as ansiedades e ver o glorioso propósito de Deus em todas as coisas.

Em terceiro lugar, em Hebreus 4, nos é dito que o céu, o eterno Reino, é o grande descanso no sábado para nós, mesmo que ainda seja um tempo de culto (Ap. 22:3). Pois então “não haverá mais maldição”, o impedimento do pecado e do mal se foram, e trabalho e descanso são uma alegre unidade em Cristo. A retirada da maldição significa que “Ele enxugará de seus olhos toda lágrima; e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem lamento, nem dor; porque já as primeiras são passadas” (Apocalipse 21:4). Em quarto lugar, desculpem-me por dizer isso, mas é errado tornar o céu (ou o arrebatamento) algo muito importante em nosso pensamento. Apenas o Senhor deve ser o centro. Focar no céu é focar em nós mesmos e em nosso futuro. Isso leva a uma fé centrada no homem, e não em Deus. Devemos, com confiança simples, realizar nossas tarefas e crer que nosso deus é fiel à Sua Palavra.

Em quinto lugar, o céu é uma parte da gloriosa criação de Deus, um lugar para Seu povo. Assim como Ele fez a terra, fez também o céu. Em Jesus Cristo, o Deus filho “tabernaculou” entre nós, assim como no fim, o Trino Deus “tabernaculará”, ou viverá com os homens (Apocalipse 21:3)

Em sexto lugar, em Apocalipse 22:2, nos é dito que a árvore da vida irá florescer e dar fruto simultaneamente e continuamente. Isso significa, como o Dr. K. Schilder escreveu, “promessa e cumprimento tornar-se-ão um”. Nossas potencialidades irão todas ser atualidades pois a árvore da vida, Jesus Cristo, cura todas as “nações” ou famílias da terra.

Sétimo, a realidade do céu, a ressurreição dos mortos, e a nova criação, estão além de nossa capacidade de compreensão. Nossos corpos são comparados por Paulo a sementes que são plantadas (1Coríntios 15:36-38). Se nós nunca tivéssemos visto um Carvalho, seria impossível imaginar que tão frondosa árvore pudesse crescer a partir de tão pequena semente. Da mesma forma, não podemos imaginar a glória da ressurreição do corpo, e na verdade, nem mesmo tamanha glória, q qual nunca vimos.

Eu inicie este texto dizendo que a Bíblia barra a porta para as nossas perguntas curiosas sobre o mundo que há de vir. Não devemos pensar “o que há nisso para nós?”, mas sim sobre os nossos deveres aqui e agora. Alguns podem dizer que estão muito velhos e doentes para servir a Deus agora, mas isso não é verdade. Eu conheci e conheço muitos idosos e pesos morrendo lentamente que estão constantemente em oração por muitas pessoas e causas. Enquanto nossas mentes estiverem claras, existem coisas que podemos fazer, e orar está no topo de qualquer lista.

A graça soberana de Deus determina todos os nossos dias e também nosso lugar em Seu Reino. Na visão de João, (Apocalipse 5:13), todas as criaturas ou coisas criadas nos céus e na terra louvam a Deus. Que possamos, desde agora, louvá-lo em alegria e sinceridade.

10.1.07

Chesterton, por Nagel

"Nada indica um enorme e silencioso mal da sociedade moderna de forma mais estranha que o extraordinário uso que é feito, em nossos dias, da palavra "ortodoxo". No passado, o herético se orgulhava de não ser herético. Eram os reinos desse mundo, a polícia, os juízes que eram heréticos. Ele era ortodoxo. Ele não tinha orgulho em se ter rebelado contra eles; eles é que haviam se rebelado contra ele. Os exércitos com suas seguranças cruéis, os reis com suas faces geladas, os decorosos processos do Estado, os razoáveis processos da lei -- todos eles se desviaram como ovelhas. O homem se orgulhava de ser ortodoxo, orgulhava-se de estar certo. Se estivesse sozinho em um tremendo deserto, seria mais que um homem; seria uma igreja. Ele era o centro do universo; era ao redor dele que as estrelas orbitavam. Todas as torturas arrancadas de infernos esquecidos não poderiam fazê-lo admitir que era herético. Mas algumas poucas frases modernas tem feito com que ele se gabe disto. Diz ele, com um sorriso, "Eu suponho que seja muito herético", e olha ao redor em busca de aplausos. A palavra "heresia" não deixou de significar apenas estar errado; ela praticamente significa ser lúcido e corajoso. A palavra "ortodoxia" não deixou de significar apenas estar certo; ela praticamente significa estar errado. Tudo isso só pode significar uma coisa, uma coisa somente. Isso significa que as pessoas se importam menos se elas estão filosoficamente corretas. Pois, obviamente, um homem deveria confessar-se louco antes de confessar-se herético. O boêmio, com sua gravata vermelha, deveria se vangloriar de sua ortodoxia. O dinamiteiro, deixando uma bomba, deveria sentir que, independente do que mais ele seja, ao menos ele é ortodoxo."
*
Dê uma visita ao Nagel (Dê ou preste?). Lá você encontra, além desta tradução, outros textos tão bons quanto, escritos pelo próprio. Ah, e ele toca na banda também!

8.1.07

DOXOLOGIA DE JUDAS – JUDAS 24 e 25

Fichamento apresentado à disciplina Introdução ao Novo Testamento III, do Profº. Luiz Roberto dos Santos do curso de Bacharelado em Teologia.
"Àquele que é poderoso para impedi-los de cair e para apresentá-los diante da sua glória sem mácula e com grande alegria, ao único Deus, nosso Salvador, sejam glória, majestade, poder e autoridade, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor, antes de todos os tempos, agora e para todo o sempre! Amém." (Nova Versão Internacional)

Embora a epístola de Judas (de acordo com Broadus Hale) não tenha sido escrita a nenhuma igreja ou comunidade distinta, mas sim aos “chamados, amados em Deus Pai e guardados em Jesus Cristo” (v.1), é preciso levar em consideração seu conteúdo, principalmente sua relação com II Pedro. A carta exorta os cristãos acerca dos falsos mestres, explicando a eles sobre sua destruição (versos 5 a 7), denunciando sues pensamentos (versos 8 a 11) e descrevendo tais homens em suas atitudes (versos 12 a 16).

O interessante da epístola é que, mesmo com tom grave, ela termina de forma sublime com a Doxologia, nos versos 24 e 25.

Uma doxologia (do grego doxa, glória e logos, verbo, palavra) é um pequeno hino de louvor a Deus usado comumente em cultos cristãos ao final de cânticos, salmos e hinos, e esta tradição deriva de práticas semelhantes na sinagoga judaica, o que faz sentido, uma vez que grande parte dos primeiros cristãos eram judeus convertidos ao cristianismo.

Para Hale, “talvez a mais bela benção a ser encontrada em toda literatura se ache nesta pequena epístola”. Para melhor compreensão daquilo que este pequeno, mas belo texto transmite em seu conteúdo, passaremos a analisá-lo em partes:

1 – Àquele que é poderoso para impedi-los de cair.
Calvino em seu comentário à epistola diz, acerca desta frase, que fica claro que é apenas pelos méritos de Deus que não caimos em perdição, e não pelos nossos esforços, e Matthew Henry conclui dizendo que Deus é poderoso para nos impedir de cair “não como aqueles que nunca tenham ou cometido falta, mas sim como aqueles cujas faltas não serão imputadas para sua ruína, a qual, senão pela Graça e misericórdia de Deus, eles estariam destinados”.

2 - e para apresentá-los diante da sua glória sem mácula e com grande alegria.
O mesmo Deus que nos sustenta é quem tem o poder de nos apresentar diante Dele sem maculo, e isso pelos merecimentos de Jesus Cristo. Henry enfatiza que uma possível leitura da pasagem é a seguinte: “a Glória do Senhor será logo presente. No momento, a olhamos à distância, e muitos a olham como incerta, mas ela virá, e será maanifesta e aparente”. Essa leitura nos dá esperança quanto à vinda do Senhor e da manifestação efetiva de Seu Reino. Essas palavras, aos leitores de Judas, devem ter soado como um consolo (daí o trecho “e com grande alegria”), uma vez que todos estariam na presença do Senhor, e seriam julgados de acordo com seus atos.

3 - ao único Deus, nosso Salvador, sejam glória, majestade, poder e autoridade.
De acordo com John Gill, o trecho acima é destinado “não à Trindade em geral, nem particularmente ao Pai; mas ao Senhor Jesus Cristo [Deus Filho], mas não à exclusão do pai e do Espírito; e é a sabedoria de Deus, e autor de toda sabedoria, natural e espiritual; e é o único salvador de Seu povo; e a Ele seja” como descrito no texto, glória (por Sua divindade), Majestade (que pertence a Deus e à qual Ele tem sobre a humanidade), poder e autoridade (Deus é poderoso para fazer todas as coisas e tem, portanto autoridade sobre todas as coisas).

4 - mediante Jesus Cristo, nosso Senhor, antes de todos os tempos, agora e para todo o sempre! Amém.
O treho encerra confirmando que todas as honrarias a Deus são dadas através de Seu Filho Jesus, que é “antes de todos os tempos”, ou seja, é pré-existente e assim como Deus Pai, não foi criado. E todas essas honrarias são “agora e para todo sempre”, ou seja, por toda eternidade Ele é honrado.

O amém final, ou “assim seja”, de acordo com William Hendricksen e Simon J. Kistemaker vem da tradição judaica, e os cristãos geralmente terminam suas doxologias com a palavra.

BIBLIOGRAFIA

- HALE, Broadus David. Introdução ao Estudo do Novo Testamento. São Paulo, Hagnos, 2001.
- SUMMERS, Ray. Comentário Bíblico Broadman – Judas. Rio de Janeiro, JUERP, 1985.
- HENRY, Matthew. Matthew Henry Bible Commentary - Jude.
Consultado via internet
- CALVIN, John. Commentaries on the Catholic Epistles. Consultado via internet
- GILL, John. John Gill's Exposition of the Entire Bible – Jude. Consultado via internet
- HENDRICKSEN, William, KISTEMAKER, Simon J. New Testament Commentary - Jude. Colsultado via internet
Por Eduardo Mano

4.1.07

Diretamente do Blog do Nagel...

Brevíssimos apontamentos sobre a pregação

A dignidade da mensagem independe da dignidade de quem a prega, e conquanto a Igreja tenha o dever de requerer de seus ministros e de si nada menos que coerência entre discurso e prática, ela também tem o dever de saber que a mensagem evangélica é um tesouro guardado em vasos de barros, que somos nós, como bem disse o apóstolo.

*

Todo pregador se põe diante da Igreja a fim de repetir aquilo que ouviu do próprio Deus. O pregador é aquele que pode iniciar cada fala como um dos profetas: "Assim diz o Senhor".

*

O pregador é, junto à congregação, alvo tanto da graça quanto da disciplina de Deus. Aquilo que Deus diz à Igreja diz antes a ele. Dessa forma, quando um pregador admoesta sua congragação ao arrependimento é porque foi necessário a ele arrepender-se primeiro.

Amém cara, amém.

3.1.07

Uma conversa franca sobre Adoração

Esse texto deve sair em um número da Revista Soma, só não sei qual, nem quando. Coloco aqui para dar uma opção aos amigos que queiram ler.
Gostaria de ter uma conversa franca com você, líder ou membro de uma equipe de louvor. Não importa se a Igreja onde você serve tem 20 ou 2000 membros, se já gravou algum material ou está longe disso.

Não iremos falar aqui que “adoração é um estilo de vida”, e também não iremos falar que o louvor liberta, quebra cadeias, e coisas desse tipo. Eu quero abordar dois aspectos altamente importantes e infelizmente negligenciados em nossas Igrejas quando o assunto é adoração: o aspecto prático e o aspecto proposital.

Eu não creio que nossas Igrejas tenham uma visão apropriada a respeito da música no culto. Penso que, hoje, vivemos, dependendo de nossa denominação ou Igreja, em pólos diametralmente opostos, sem termos um bom equilíbrio. Explico: os pólos opostos são a total centralidade da música no culto e o total descaso com ela.

Nas Igrejas onde há grande ênfase à música, conseqüentemente teremos uma certa falta de aprofundamento bíblico-doutrinário. A música deixa de ser apenas um suporte e passa a ser a mensagem principal. E como expressar profundas verdades bíblicas em apenas 3 minutos, ou em muitos casos, em 10 minutos de repetições “mântricas”? Por outro lado, se o período de louvor é relegado ao segundo (ou terceiro, quarto...) plano, por melhor que seja o pregador e a mensagem, a congregação não tem a possibilidade de expressar a sua fé e gratidão a Deus através de cânticos, o que pode gerar um ressequimento espiritual.

A seguir, abordaremos os aspectos prático e proposital da adoração no culto, de forma a melhor trabalharmos no serviço do Senhor.

O Aspecto Prático

Há 12 anos venho servindo a Deus através do louvor, sendo 10 deles na mesma Igreja. Muito pouco quando temos em mente homens como Asaph Borba, Adhemar de Campos, Guilherme Kerr, Nelson Bomilcar... cada um com 25, 30, ou mais anos de ministério.

Mas nesses anos de ministério, já passei por um bocado de situações. Nascido em uma Igreja batista tradicional, lembro-me quando, ainda adolescente, o grupo que formamos tocou pela primeira vez em um culto da Igreja, domingo pela manhã. Boa parte da “velha guarda” se levantou e saiu do santuário, em claro protesto. Dou graças a Deus pois os jovens de hoje não precisam mais passar por isso, pois gerações anteriores lutaram para modificar os paradigmas existentes.

Se você faz parte de um ministério de adoração, seja como líder ou membro, creio que há algumas informações práticas que podem ajudar no bom desenvolvimento da equipe e também na boa fluência do culto. Equilíbrio é a chave. Eu já fui da turma que pensava que era necessário um maior espaço aos cânticos nos cultos – veja bem, cânticos, não hinos. Hoje penso diferente.

Como membro de uma equipe de louvor, você deve ter em mente uma coisa: você não é o único membro de sua Igreja. Sua congregação provavelmente é formada por membros de diversas idades, desde juniores aos idosos, e cada um tem um gosto musical pessoal. Alguns gostam de cânticos de adoração (mais calmos e contemplativos), outros gostam de cânticos de louvor (mais agitados), outros ainda gostam de hinos (mais tradicionais).

As músicas que serão tocadas em um culto não devem ser escolhidas sem um critério. Esse trabalho deve ser feito em conjunto com o pastor da Igreja. Caso haja um Ministro de Música na equipe ministerial, é ele que irá decidir, junto ao pastor, o que será usado na ordem do dia. Caso não haja um Ministro de Música, então esse trabalho pode ser feito pela equipe, junto ao pastor. A importância de se trabalhar em conjunto com o líder da comunidade é que, uma vez que ele irá trazer a mensagem, ele pode dar algumas idéias, principalmente sobre o tema do que será cantado.

Outra coisa importante: é necessário avaliar o conteúdo teológico das músicas cantadas, e essa função deve ser exercida pelo pastor, ou ainda por seminaristas da Igreja. Há muita má teologia sendo cantada nas Igrejas, e muitas vezes não temos discernimento para entender o que é bíblico e o que não é.

Já que tocamos neste assunto, imagino que a equipe que você faz parte se reúne regularmente para orar e ler a Bíblia, não é mesmo? Se ainda não fazem isso, comecem já. Cada um é responsável pelo discipulado do outro, e uma equipe que busca a Deus em conjunto é abençoada e cresce em conjunto.

Falando um pouco de musicalidade e direção do louvor, vamos pensar em algumas questões. Talvez a sua Igreja tenha uma banda. Talvez, além de uma banda, uma orquestra. Talvez não tenha nada disso, e você é a pessoa responsável por dirigir o louvor cantando e tocando violão, ou piano. De qualquer maneira, você precisa pensar nos seguintes tópicos:

- Arranjo das músicas: Menos é sempre mais. Seja em uma equipe limitada ou em uma equipe extremamente capacitada, é importante lembrar que o culto não é um show, e que introduções longas e solos talvez sejam mais bem usados em outros momentos. Ritmos difíceis e tonalidades muito altas também podem interferir de maneira negativa na experiência de adoração. Não estou dizendo que apenas o básico é bom, mas essas questões devem ser tratadas de forma balanceada. Lembre-se: equilíbrio é a palavra chave.

- Volume: Talvez a questão mais complicada. Todo músico gosta de tocar alto, de ser ouvido, isso é inegável. Mas no momento de culto, devemos lembrar que a honra e a glória é do Senhor Jesus, e não do guitarrista.

- Roupas: Tome muito cuidado com as roupas que os membros da equipe utilizam, principalmente no verão, caso a sua Igreja não possua ar-condicionado. É claro que ninguém precisa usar terno, mas bermudas e camisetas sem mangas, no caso dos homens, podem causar um certo desconforto nos membros mais velhos. Quanto às meninas, muito cuidado com as saias curtas e decotes.

Uma equipe é formada por pessoas diferentes, com gostos diferentes. Uma coisa que tenho visto com tristeza é que, além da polarização que falamos no início, há outra que vem surgindo em meio aos músicos: as influências musicais.

Alguns dizem que não se pode ouvir música secular, outros não se importam. Dizem que como brasileiros, devemos ouvir e tocar música brasileira, outros já preferem as influências de fora, e assim surgem os extremos.

Aqui também vale o equilíbrio e o bom senso. Eu, particularmente, cresci ouvindo rock, e esse é o estilo que gosto, e minhas músicas são nesse estilo. Não é por isso, no entanto, que deixo de ouvir música brasileira. Não creio que haja qualquer problema, uma vez que há espaço para todos os estilos musicais no Reino de Deus. Seja você mesmo, e tente balancear os gostos de cada membro da equipe.

Essas são as principais questões práticas. É claro que existem outras, mas tendo estas resolvidas, tudo fica mais fácil de ser resolvido. Com isso, passamos ao nosso segundo aspecto.

O Aspecto Proposital

Neste ponto, gostaria de abordar o aspecto mais importante do louvor e adoração. E para isso, vamos voltar um pouco na história.

Desde a Reforma Protestante, a música tem tido uma parte importante em nossas Igrejas. Lutero, logo após a Reforma Protestante, compôs diversos hinos (dentre eles Castelo Forte). Calvino, também preocupado com o bom uso da música no culto cristão reformado, escreveu um prefácio ao Saltério Genebrino, publicado em 1565. Calvino dizia, no prefácio, que “quando nos reunimos no nome de Cristo para adorá-Lo, não estamos ali para nos entreter ou divertir os espectadores, mas para que haja proveito espiritual. Para Calvino, quando não há doutrina, também não há edificação e que, se quisermos de fato honrar os ensinos de Cristo, devemos conhecer o conteúdo de tudo o que é usado na liturgia, saber o que significa e qual a sua finalidade, para que o seu uso seja justificado e salutar”.

Esse é um princípio que não podemos perder, em hipótese alguma, de vista. O propósito da música, no culto, é o proveito espiritual.

Eu tenho a firme convicção de que tudo o que fazemos deve ter como principal motivação a Glória de Deus. É claro que a Bíblia assim nos ensina, mas parece que esquecemos disso em nosso dia-a-dia.

Grande parte do movimento evangélico nos dias de hoje ensina que o importante é que tenhamos cada vez mais posses, sejamos prósperos, que nos sintamos bem na Igreja, que haja uma boa atmosfera nos cultos... isso é uma grande besteira. Tudo o que cerca a Igreja e em especial o momento de culto é a Glória de Cristo. Nos reunimos para adorar a Jesus, tomamos a ceia para lembrar Seu sacrifício, batizamos novos membros como atestado da fé do novo crente e também de que nosso Deus ainda atua hoje, oramos pois cremos que Deus nos ouve, cantamos para Louvar o Santo Nome do Senhor, ouvimos mensagens para aprender mais de Deus. Nada é para nós, tudo vem de Deus e é para Ele.

João 1 e Colossenses 1 nos ensinam que em Cristo todas as coisas, visíveis e invisíveis, foram criadas, e que tudo vem Dele, é por Ele e para Ele. Nossas vidas devem ser um contínuo ato de louvor a Deus. Só o fato de termos sido salvos pela Graça já seria o bastante para que nunca deixássemos de louvá-Lo, mas não, ainda tem mais: Ele prometeu estar conosco todos os dias, até a consumação dos séculos (Mateus 28:20b).

Nós, como líderes ou membros de uma equipe de louvor, temos a obrigação de servir a Deus através da Igreja de forma que a Glória de Deus seja em nós louvada. Essa é a grande sacada, e a maior dica que qualquer um de nós poderia receber.

Que Deus nos abençoe e nos guie, para que o trabalho que realizamos em Seu Nome seja sempre proveitoso.

Eduardo Mano
eduardomano@gmail.com
www.eduardomano.blogspot.com